sexta-feira, abril 13, 2007

Actualização Poética II


Desfeitas as possíveis dúvidas sobre o poema em causa, achei que era tempo de aplicar tão belas e verdadeiras palavras a um caso que, a par de "Luísa", sofre na pele a labuta e o sofrimento nunca reconhecidos. Aqueles que não têm vergonha de pedir meia de leite, aqueles que sabem os nomes dos bolos, aqueles que não bebem cerveja, aqueles que choram com o "E.T.", aqueles que vestem roupa a combinar com os sapatos, aqueles que não têm vergonha de beber bebidas light... São muito possivelmente rotos...
António Gedeão, as minhas desculpas:


Mantorras treina, treina a pelada,
treina e não pode, tem perna estragada.

Treina, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
com a perna estoirada.
Na perna grosseira,
de pele queimada,
tem parafuso
e é desengonçada.

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.

Mantorras é novo,
desenxovalhado,
tem um joelho bom,
e o outro aleijado.
Ferve-lhe o sangue
de afogueado;
pede que o deixem
jogar um bocado.

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.

Jogam floribelas,
italianada,
jogam os toscos
e ele nada.

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.

Chegou ao treino
não disse nada.
Calçou a chuteira,
bem apertada;
vestiu o colete
numa assentada;
fez alongamento,
deu uma bolada;
mais uma corrida
desajeitada;
chutou à baliza
de rede furada;
despiu-se à pressa,
a roupa suada;
tomou o seu duche
de água gelada;
chegou o homem,
que usa a gravata;
chamou os onze,
e Mantorras nada.

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.

Na manhã débil,
toca a alvorada,
salta da cama,
mais uma jornada;
veste o fato,
de águia estampada;
sai já à pressa,
não esquece de nada;
chama um táxi,
tem hora marcada;
não leva o seu carro
tem a carta cassada,
salta para a rua,
de perna aleijada,
dói o joelho,
não dói o joelho,
hoje há jornada,
chega ao estádio
à hora marcada,
joga no banco, no banco fica, [x 4]
toca o apito
na hora aprazada,
joga o Benfica,
em boa toada,
joga no banco, no banco fica, [x 4]

acaba o jogo
vitória folgada.
Mantorras entrou
de partida acabada.

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada. [x 3]

Anda, Mantorras, Mantorras, treina,
treina que treina, treina a pelada.


Deixe o Mantorras jogar, sr. Engen... Quer dizer, sr. Fernando (nos dias que correm, é melhor não arriscar...)

Actualização Poética


Quem não conhece o famoso poema de António Gedeão, "Calçada de Carriche"?
Ok, infelizmente muita gente...
Para não haver desculpa, aqui fica:

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga,[x 4]
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,[x 4]

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada, [x 3]

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

quarta-feira, abril 11, 2007

Ser ou não ser... Eis...genheiro

Não percebo o porquê de tanta investigação e preocupação sobre as habilitações literárias oficiais do Primeiro-Ministro.
Vão-me desculpar, mas o Sr./Engº./Engº. Técnico/Bacharel/Dr./Mestre/4ª Classe Sócrates não tem cumprido o seu papel, independentemente da formação que tem?
O homem por acaso, como qualquer Primeiro-Ministro que se preze nos últimos anos, não tem feito merda suficiente? É preciso um curso?
É realmente preciso ser Engenheiro para faltar à palavra, mentir, quebrar promessas, fechar urgências de hospitais, aumentar impostos, favorecer amigos, desperdiçar dinheiro, errar nas políticas de ambiente, colocar camaradas de partido em altas posições empresariais, deixar as culpas caírem sobre os seus ministros, arranjar desculpas para dar milhões a ganhar a alguns à conta de um aeroporto duvidosamente desnecessário e absolutamente mal colocado e ter o cabelo à Richard Gere?
Não me parece indispensável. Eu era bem capaz de fazer isso e só tenho o 12º ano. Bom, faltam-me duas disciplinas... Quer dizer, não acabei o 9º... Tudo bem, fiz a 4ª classe e foi à noite, mas era bem capaz de fazer o que ele faz.
Tal como diz o senhor que se senta no banco do Benfica, e que alguns jornais teimam em se referir a ele como "treinador": "Sou honesto, trabalhador e sou do Benfica!". Bolas, também eu e não meto o Beto a jogar, pois não?...

Voltando à vaca fria (e não, não é o nome de um espectáculo da Carolina Salgado no gelo) isto é realmente de uma grande arrogância querer à força que o homem seja Engenheiro para poder ser Primeiro-Ministro. Então num país onde existem milhares e milhares, para não dizer centenas até, de recém licenciados sem emprego, querem despedir mais um?
Não senhor! Se o homem não é Engenheiro, mais valor se lhe devia dar. É que depois de tantos séculos de luta, de conquistas, de glórias e de História, não é qualquer um que deixa o país de rastos!
Não ao corporativismo, não ao elitismo. O Afonso Henriques também não era Engenheiro e deu cabo de quase tanta gente como o nosso Primeiro-Ministro!
Mostre-se respeito. A experiência e o génio inato devem ser reconhecidos também. E que melhor exemplo que a pessoa que manda no país, o Pinto da Costa?... aham, não, o Valentim Loureiro! Também não... o... o coiso... o... Sócrates, é isso!!

PS - Era bem pior se ele fosse advogado...